Dados preliminares do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram que apenas 7,6% dos brasileiros tem uma renda mensal superior a cinco salários-mínimos. Enquanto isso, mais de um terço dos trabalhadores recebe até um salário-mínimo, cerca de 35,3% de todos os trabalhadores.
Já cerca de 32,7% da população ocupada recebe entre um e dois salários-mínimos no país. A menor parcela identificada foi entre trabalhadores que recebem mais de 20 salários-mínimos: cerca de 0,7%, com rendimentos acima de R$ 24.240. Há também discrepância entre as regiões brasileiras, entre gêneros e entre etnias: O Norte e o Nordeste têm renda inferior ao Centro-Sul; mulheres recebem menos que homens e pretos e indígenas recebem menos que brancos e amarelos.
O economista Felipe Cordeiro explica que essas diferenças têm origens históricas que impõem desafios para serem superadas. “A desigualdade de renda no Brasil tem características históricas de distribuição desigual de investimentos públicos ao longo das décadas. A questão climática e geográfica contribuiu em grande parte nisso, pois, enquanto a população do Nordeste sofria com a seca e com solo árido, as regiões do Centro-Sul viviam ciclos de produção de café em um solo fértil e clima propício”. Essa situação deu a base para a industrialização dessa região ao longo do século XX e, por consequência, foi destino da maioria dos investimentos federais, contribuindo para que os salários do Centro-Sul sejam maiores”, completa.
“A desigualdade de renda no Brasil tem características históricas de distribuição desigual de investimentos públicos ao longo das décadas”
Além disso, Cordeiro pontua que os setores que mais empregam com altos salários derraparam historicamente, não se expandindo de forma regular. “O principal setor que emprega alta quantidade de mão-de-obra e com bons salários é o industrial, setor esse que sofre no Brasil nas últimas décadas por falta de priorização dos investimentos públicos de forma a garantir produtividade da indústria brasileira. Esse cenário impede que se crie novas vagas de mais de dois salários, o que acaba achatando a pirâmide de rendimentos no topo com o crescimento da população ao longo dos anos, gerando assim uma desigualdade de renda em níveis muito elevados”, avalia.
O economista salienta que investimentos pontuais já podem surtir efeitos significativos. “Nos últimos 4 anos, o Nordeste teve um crescimento do PIB acima da média nacional com a construção dos portos e da fábrica da Byd”, exemplifica.
