Uma análise da força de trabalho em Goiás, baseada nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) entre 2018 e 2025, feita pelo Grupom Consultoria Empresarial, revelou que o total de admitidos no período aumentou de 50.773 (2018) para 94.843 (2025), um crescimento acumulado de 86,8%. A pesquisa aponta um avanço significativo a partir de 2021, que se consolida nos anos seguintes, indicando um aquecimento contínuo na dinâmica de contratações.
Um destaque que chama a atenção é que o interior é a região com maior número absoluto de contratações (aumento de 92,8%), tendo a maior taxa de crescimento considerando a Região Metropolitana de Goiânia como capital e o interior. A capital mantém uma taxa de expansão menor do que em outras regiões, mas significativa em termos absolutos, com um crescimento acumulado de 76,8% no período analisado. A participação relativa do interior se manteve acima de 50% por todo o período, ou seja, permaneceu responsável por mais de 50% das admissões. Goiânia variou entre 32% e 36%.
“Políticas de incentivo fiscal, melhorias na infraestrutura e programas de qualificação profissional contribuíram para criar um ambiente propício à criação de empregos”
Além disso, remuneração média tanto no interior quanto na capital se manteve ascendente em todo o período analisado. Em janeiro de 2018, a média era de R$ 1.318,67 no interior e R$ 1.376,38 na capital. Em janeiro de 2025, o valor médio apurado pelo Grupom é de R$ 1.976,71 no interior e de R$ 2.078 na capital.
“É importante ressaltar que essas informações, embora robustas em termos de contagem e crescimento percentual, não elucidam diretamente os fatores subjacentes que motivaram a expansão geral da força de trabalho ou as diferenças observadas entre as regiões”, aponta o diretor executivo do Grupom, Mario Rodrigues Neto.
Sobre a expansão geral da força de trabalho, Neto elabora a seguinte hipótese: “indicadores macroeconômicos apontam para uma retomada econômica pós-pandemia, com crescimento do PIB e expansão dos setores industrial e de serviços. Essa recuperação pode ter impulsionado a abertura de vagas e o aumento da atividade econômica, refletindo-se no crescimento da força de trabalho”. A isso se somam as políticas públicas: “Estudos e documentos oficiais do governo de Goiás sugerem que políticas de incentivo fiscal, melhorias na infraestrutura e programas de qualificação profissional contribuíram para criar um ambiente propício à criação de empregos. Tais medidas podem ter estimulado o dinamismo do mercado de trabalho”.

Por fim, há a diversificação da economia: “relatórios de consultorias regionais e dados setoriais indicam que essa diversificação atua como fator de resiliência frente a crises pontuais, ampliando as oportunidades de emprego”, explica Neto, que avalia a importância de investigações adicionais para um melhor aprofundamento.
Quanto à expansão do interior à frente da capital, Neto também tece hipóteses, começando pela descentralização de investimentos. “Relatórios de instituições como a Fieg e estudos de consultorias econômicas sugerem que a descentralização de investimentos – motivada pela busca por custos operacionais mais baixos e melhor qualidade de vida – favoreceu o crescimento dos polos econômicos no interior. Esse movimento pode ter resultado em um incremento mais acentuado dos admitidos nessa região, em comparação à capital”, avalia.

Outra é a melhoria da infraestrutura e da qualidade de vida fora de Goiânia. “Indicadores de qualidade de vida e melhorias em infraestrutura, documentados por pesquisas do IBGE e estudos de planejamento urbano, indicam que fatores não apenas econômicos, mas também sociais, podem ter atraído empresas e trabalhadores para as cidades do interior. Esse cenário favorece a instalação de novos empreendimentos e a criação de empregos, contribuindo para o crescimento observado”, conclui.
A pesquisa porém não detalha onde estariam esses empregos ou quais as cidades em que eles mais cresceram: os dados fazem apenas uma distinção entre Goiânia, Região Metropolitana e Interior.