Uma pesquisa de opinião feita por uma plataforma online de currículos com 500 brasileiros identificou que o principal objetivo dos entrevistados é atingir uma renda fixa de até R$ 10 mil até 2030, um número desafiador, já que a média salarial no país gira ao redor de R$ 3 mil segundo dados da PNAD Contínua.
Para a maior parte dos entrevistados (33%), a melhor forma de melhorar a renda seria abrindo o próprio negócio, resposta que foi mais comum entre millenials (nascidos de 1981 a 1996) e a geração Z (nascidos de 1997 a 2007). Em segundo lugar (25%), marcaram como objetivo alcançar um cargo de chefia ou gestão.
O interesse por mudar de profissão ou buscar outra carreira também teve adesão: 22,2% dos entrevistados afirmam que pretendem mudar de área nos próximos cinco anos. Essa tendência está mais presente entre os mais jovens (40% entre os entrevistados da geração Z) do que entre os mais velhos (25% dos millenials).
Outros caminhos também apareceram na pesquisa: 15,6% afirmam que buscam trabalhar de forma remota para o exterior, aumentando a renda ao receber em moeda estrangeira. A geração Z é maioria nessa opção (46,1%) em relação aos millennials (21,3%).
“A pesquisa é relevante pois traz uns pontos que mostram o quanto a nossa economia é cada vez mais ligada a CNPJ do que a CLT, ou seja, as empresas, as pessoas querem buscar sua independência financeira através do trabalho próprio”
“A pesquisa é relevante pois traz uns pontos que mostram o quanto a nossa economia é cada vez mais ligada a CNPJ do que a CLT, ou seja, as empresas, as pessoas querem buscar sua independência financeira através do trabalho próprio”, aponta o especialista em economia, Leandro Sousa. Ao seu ver, a pesquisa revela que a carteira assinada não é mais sinônimo de independência financeira para o trabalhador, que busca formas mais dinâmicas tanto de trabalho como de renda.
Outra mudança que ele destaca é que a pesquisa mostra o desejo por mudança, isto é, não é mais tradicional e expectativa de seguir carreira ou permanecer por muitos anos em uma mesma empresa. “As três principais opções: abrir um próprio negócio; assumir cargos de liderança e mudar de carreira, só vão trazer um maior rendimento se a pessoa sair do cargo em que está hoje, é buscar um novo caminho”, pontua.
O que motiva isso, ao seu ver, é a média baixa de remuneração. O rendimento médio per capita de Goiás em 2024 ficou em R$ 2.098, nono maior do país e acima do nacional (R$ 2.069). Sousa aponta que mesmo com bons índices empregatícios, a renda dos brasileiros é pressionada constantemente por outras questões da economia relacionadas ao custo de vida, como a inflação: “Isso faz com que as pessoas busquem outra forma de renda, como o próprio negócio. E por isso muitos trabalhadores buscam trabalhar, por exemplo, na área de tecnologia para empresas fora do país”.