O mercado de trabalho de Tecnologia da Informação (TI) no Brasil enfrenta um cenário desafiador que se repete no mundo todo: há uma escassez de profissionais qualificados, enquanto há um excedente de vagas com salários elevados, significativamente acima da média nacional.
Segundo dados da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, o país forma cerca de 53 mil graduados em TI por ano enquanto o déficit de profissionais previsto deve atingir 532 mil até 2029. Para enfrentar esse cenário, é essencial investir na formação e capacitação de novos profissionais, além de promover a requalificação de veteranos que ingressaram na área quando o nível de acesso era outro.
Goiás é um estado que se destaca neste campo com o desenvolvimento do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (Ceia/UFG) e pelo Instituto de Informática (Inf) que criou o primeiro curso de graduação em Inteligência Artificial do país, já com a primeira turma de profissionais formados e no mercado de trabalho.
“A gente lida com mais de 60 empresas aqui no Ceia e esses números refletem a realidade do que a gente observa. Existem mais vagas do que pessoal qualificado disponível e as áreas de tecnologia têm uma característica singular que é a não ter regulamentação. Então na prática você nem precisa de diploma para exercer. Por ser uma área mais aberta, a pessoa sabia que ia ser empregada”, relata o coordenador científico do Ceia, o professor Anderson Soares. Ele relata que por causa disso, muitos profissionais que ingressaram no mercado por conta própria no passado agora esbarram em dificuldades pela falta de formação, o que justifica a necessidade desde cursos técnicos a nível médio quanto a graduação e a pós-graduação para atender a necessidade do mercado de profissionais plenos.
“Nos últimos dois anos, tivemos um crescimento superior a 20% por ano do setor no Brasil. Por ser algo que está ligado a quase todas as atividades da sociedade atual, a tendência é que essa área demore a estagnar”
“Isso acelerou a transformação digital dos negócios e a formação deixou de acompanhar a necessidade. Isso é um fenômeno no mundo todo. O Brasil está no grupo de países que sofre mais, porque a evasão nos cursos de tecnologia é muito alta. Então há esse descompasso entre profissionais de tecnologia qualificados e as vagas disponíveis”, explica o docente.
“Quando a gente fala sobre o setor de Tecnologia da Informação, estamos falando de algo muito amplo, muito além daquele departamento que toda empresa e órgão público tem. Nos últimos dois anos, tivemos um crescimento superior a 20% por ano do setor no Brasil. Por ser algo que está ligado a quase todas as atividades da sociedade atual, a tendência é que essa área demore a estagnar”, adiciona o economista Felipe Cordeiro.
Ele completa que, por ser uma área tão abrangente, que vai desde o suporte técnico passando pelo tratamento de dados e até IA, a demanda por profissionais “muda e se atualiza muito rapidamente, então é preciso se atualizar constantemente, já que a tendência é que a nossa vida vá se digitalizar cada vez mais, aumentando nossa necessidade por estes profissionais”.