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por Equipe do Observatório

Mercado de trabalho se mantém aquecido em Goiás com baixa histórica no desemprego

Até outubro deste ano, foram gerados 2,1 milhões de novos empregos com carteira assinada no Brasil, segundo o Caged. Em Goiás, o cenário é ainda melhor, com 82.543 empregos criados em 2024 até outubro, um aumento de 68,95% em relação a todo o ano de 2023. Além disso, no terceiro trimestre de 2024, o desemprego em Goiás atingiu a menor taxa (5,1%) dos últimos 11 anos, ficando abaixo da média nacional (6,4%).

O economista Felipe Cordeiro aponta que o grande número de empregos criados em 2024 encaminha o país para um cenário de pleno emprego. “Estamos vivendo um momento de economia aquecida, isso faz com que as empresas precisem contratar cada vez mais mão de obra para atender à demanda de produção, porém, essa contratação tem um limite que é justamente a quantidade dessa mão de obra disponível no mercado para determinada função e isso envolve a formação e capacitação de cada trabalhador. Quando essa relação da demanda e da oferta de mão de obra chega nesse limite, acontece o que chamamos de ‘pleno emprego’, onde o desemprego residual é de pessoas que não querem as vagas disponíveis no mercado”, explica.

Isso gera um fenômeno interessante: o aumento de demissões voluntárias conforme trabalhadores qualificados buscam por oportunidades melhores. Segundo uma pesquisa feita pela FGV Ibre, até outubro de 2024, o número de pedidos de demissão no Brasil, isto é, de desligamento voluntário, cresceu 17%, representando cerca de 36,6% do total das demissões.

“Os empregadores ficam diante de um grande desafio para contratar, se vendo obrigados a melhorar as condições do trabalho ou os salários para conseguir atrair os melhores talentos”

Nessa situação, argumenta Cordeiro, os empregadores precisam tornar as vagas mais atrativas para reter a mão de obra, em particular a mão de obra especializada: o aumento de demissões vem de trabalhadores que se desligam porque encontraram ou foram procurar posições melhores.

“Os empregadores ficam diante de um grande desafio para contratar, se vendo obrigados a melhorar as condições do trabalho ou os salários para conseguir atrair os melhores talentos”, finaliza.

Isso significa que o mercado de trabalho fica mais competitivo e dinâmico, com trabalhadores especializados buscando não apenas melhores salários, mas melhores condições, como horários mais flexíveis, benefícios como plano de saúde e de carreira e assim por diante.

Segundo a pesquisa, o aumento foi maior entre trabalhadores com Ensino Médio completo ou Ensino Superior incompleto (17,6%) e principalmente entre jovens de 18 a 24 anos (cerca 29%), seguidos pelos trabalhadores entre 30 e 39 anos (26,7%).