A presença de mulheres com mais de 40 anos no mercado de trabalho atingiu um patamar histórico, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre). A taxa de participação de mulheres de 40 a 49 anos no mercado de trabalho é de 65,5%, um número expressivo, mas ainda 21 pontos percentuais abaixo da taxa masculina, que se encontra em 86,5%.
Entre as trabalhadoras na faixa etária de 40 a 59 anos, a renda correspondente ao rendimento dos homens aumentou de 68,9% em 2012 para 75,4% em 2024. Esse crescimento reflete avanços em políticas de equidade e maior qualificação profissional das mulheres, além de um mercado de trabalho mais receptivo à diversidade.
A economista Fernanda Mayra destaca que “apesar dos avanços recentes, as desigualdades de gênero no mercado de trabalho persistem de forma significativa. Embora a participação feminina tenha crescido ao longo dos anos, esse aumento ainda é lento, refletindo desafios tanto sociais quanto econômicos. Fatores como mudanças sociais, a necessidade de contribuição feminina no orçamento familiar, e a reestruturação do modelo familiar podem ter impulsionado esse crescimento”.
A disparidade salarial também continua sendo um desafio. “Em 2024, os homens ganhavam, em média, 24,6% a mais que as mulheres, mesmo quando possuíam atributos produtivos semelhantes. Essa diferença evidencia que as mulheres enfrentam obstáculos adicionais no mercado, inclusive para alcançar posições de liderança, apesar de terem formação equivalente ou superior à dos homens”, ressalta Fernanda Mayra.
Especialistas apontam que fatores como dupla jornada, dificuldades na progressão de carreira e estereótipos de gênero continuam sendo obstáculos para a plena igualdade no ambiente corporativo. Medidas como políticas de incentivo à contratação de mulheres, maior flexibilização da jornada de trabalho e combate à discriminação são apontadas como essenciais para reduzir essa disparidade.
“Para enfrentar essas desigualdades, é crucial um esforço conjunto que inclua políticas públicas”
Para Fernanda Mayra, “para enfrentar essas desigualdades, é crucial um esforço conjunto que inclua políticas públicas, conscientização social e ações empresariais. Medidas como a ampliação de creches integrais e a implementação de licenças parentais são essenciais para promover a conciliação entre trabalho e responsabilidades familiares, garantindo maior equidade de gênero no mercado de trabalho”.
O crescimento da participação feminina no mercado de trabalho é um reflexo das mudanças sociais e econômicas das últimas décadas. Entretanto, a jornada em direção à equidade de gênero ainda exige esforços constantes de governos, empresas e da sociedade como um todo.